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TEXTOS
Introdução à Crítica da
Economia Política - Karl Marx
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4. Produção. Meios (Forças) de Produção e Relações de Produção. Relações de Produção e Relações de Circulação. |
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Nota bene: pontos que é necessário tratar aqui e não devem ser esquecidos: 1. A Guerra; a organização da guerra é anterior à da paz; mostrar como certas relações econômicas, tais como o trabalho assalariado, a maquinaria, etc., são desenvolvidas pela guerra e no interior dos exércitos antes de se desenvolverem no seio da sociedade burguesa. Do mesmo modo, o exército ilustra particularmente bem a relação entre as forças produtivas e os modos de troca e de distribuição. 2. Relação entre a história real e a concepção idealista da história. Em particular as chamadas "Histórias da civilização", que são as histórias da religião e dos Estados. Em relação a isto, referir os diversos tipos de historiografia praticados até hoje: a citada objetiva, a subjetiva (moral, filosófica, etc.). 3. Fenômenos secundários e terciários. Relações de produção não originais, geralmente derivadas, transportes; intervenções das relações internacionais. 4. Objeções ao materialismo desta concepção. Relação com o materialismo naturalista. 5. Dialética dos conceitos de força produtiva (meios de produção) e de relações de produção, dialética cujos limites havia que precisar, e que não deve eliminar as diferenças existentes na realidade. 6. A relação desigual entre o desenvolvimento da produção material e a artística, por exemplo. De um modo geral, não tomar a idéia do progresso na sua forma abstrata corrente. A arte moderna, etc.; a desigualdade é menos importante e mais fácil de entender do que a que se produz no interior das relações sociais práticas, por exemplo a cultura. Relação entre os Estados Unidos e a Europa. A dificuldade aqui reside em determinar como é que as relações de produção e as relações jurídicas correspondentes seguem um desenvolvimento desigual; um exemplo: a relação entre o direito privado romano (não é bem o caso do direito criminal nem do direito público) e a produção moderna. 7. Esta concepção surge como um desenvolvimento necessário. Mas justificação do acaso. De que modo 8. Os fatores naturais, que representam, evidentemente, o ponto de partida; subjetivamente e objetivamente. Tribos, raças, etc. 1. Com relação à arte. Sabemos que certas épocas de florescimento artístico não correspondem de modo algum à evolução geral da sociedade nem, por conseguinte, ao desenvolvimento da sua base material, que é, por assim dizer, a sua ossatura. Por exemplo os Gregos, ou até Shakespeare, comparados com os modernos. Para certas formas de arte, - a epopéia, por exemplo - admite-se mesmo que não poderiam ter sido produzidas na forma clássica com que fizeram escola, isto é: no momento em que a produção artística se expressa naquela forma; admite-se portanto que, no próprio domínio da arte, certas obras importantes só são possíveis num estágio pouco desenvolvido da evolução da arte. Se isto é verdadeiro para a relação entre os diversos gêneros artísticos no interior do próprio domínio da arte, não é surpreendente encontrar as mesmas desigualdades entre a evolução da arte em geral e a evolução geral da sociedade. A única dificuldade consiste em dar uma formulação geral a estas contradições; porém, uma vez especificadas, estarão explicadas. Tomemos por exemplo, primeiro a arte grega, e depois Shakespeare, na sua relação com a época contemporânea. Sabemos que a mitologia grega foi não só o arsenal, mas também a terra que alimentou a arte grega. A concepção da natureza e das relações sociais que a imaginação, e portanto a [mitologia] gregas inspiram, serão compatíveis com as máquinas automáticas de fiar, com as locomotivas, com o telégrafo elétrico? Que representam Vulcano ao pé de Roberts & Ca., Júpiter comparado com o pára-raios, Hermes frente ao Crédito Mobiliário? É na imaginação e através da imaginação que a mitologia supera, domina e modela as forças da natureza; quando, na realidade, essas forças são dominadas, a mitologia desaparece. O que seria da Fama em confronto com a Printing-House Square? A arte grega supõe a mitologia grega, quer dizer, a natureza e as formas da sociedade, já elaboradas pela imaginação popular, ainda que de uma maneira inconscientemente artística. São estes os seus materiais. A arte grega, portanto, não se apoia numa mitologia qualquer, isto é, numa maneira qualquer de transformar, ainda que inconscientemente, a natureza em arte (a palavra natureza designa aqui tudo o que é objetivo, e portanto também a sociedade). De modo nenhum a mitologia egípcia poderia ter gerado a arte grega; nem poderia ter gerado uma sociedade que tivesse alcançado um nível de desenvolvimento capaz de excluir as relações mitológicas com a natureza exigindo do artista uma imaginação independente da mitologia. Trata-se de uma mitologia que proporciona o terreno favorável ao florescimento da arte grega. Por outro lado: será Aquiles compatível com a idade da pólvora e do chumbo? Ou, em resumo, a Ilíada com a imprensa, ou melhor, com a máquina de imprimir? O canto, a lenda, as musas, não desaparecerão necessariamente ante a barra do tipógrafo? Não desapareceram já as condições favoráveis à poesia épica?
No entanto, a dificuldade não está em compreender que a arte grega e a epopéia
estão ligadas a certas formas de desenvolvimento social; está sim no fato de nos
proporcionarem ainda um prazer estético, e de serem para nós, em certos
aspectos, uma norma e até um modelo inacessíveis.
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