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Ricardo
Musse
Não sei se vocês leram Como Escrever uma Tese, de Umberto Eco. Não é um
livro muito interessante, mas tem uma idéia bastante pertinente aqui, nessa
minha situação, abrindo um curso sobre a Escola de Frankfurt em uma Faculdade de
Direito. A redação antecipada de uma introdução, prévia à redação do trabalho
que ela introduz, corre o risco de estabelecer um conteúdo não compatível com o
que foi elaborado depois. Este é, mais ou menos, o meu dilema aqui: como fazer,
na primeira sessão, a introdução que me foi pedida, já que toda introdução só
pode ser exata e completa quando feita no final, a posteriori.
Para resolver essa questão, vou evitar fazer uma introdução ao curso, que
correria o risco de ser desmentida pelos demais conferencistas - afinal, posso
vir a interpretar Habermas, Benjamin e Marcuse por um prisma distinto.
Proponho-me, então, fazer uma introdução à própria Escola de Frankfurt, tentando
mostrar para vocês como ela surgiu, e alguns dos seus fundamentos teóricos e
históricos. Assim, trata-se antes de uma mini-introdução à Escola de Frankfurt.
Mesmo isso não é uma tarefa das mais fáceis. Trouxe este livro aqui - A Escola
de Frankfurt, de Rolf Wiggershaus - só para mostrar a enormidade da tarefa.
Trata-se de uma das histórias mais completas da Escola de Frankfurt e, como
vocês podem ver, tem quase 700 páginas (1). Mesmo assim ela não chega até
Habermas. Essa história abarca um período tão amplo que se confunde, de certa
forma, com a própria história do século. Alguns dos principais acontecimentos do
século XX foram pensados e vivenciados, tematizados e debatidos no âmbito da
Escola de Frankfurt.
Antes, cabe discutir pouco esse nome que virou conceito: Escola de Frankfurt.
Wiggershaus mostra, de forma bastante pertinente, que é possível falar em uma
Escola, pelo menos no que tange aos anos 30, pois muitos dos traços definidores
de uma Escola de pensamento estavam presentes nesse momento. Primeiro, havia um
programa, enunciado explicitamente como tal em dois momentos: no famoso discurso
pronunciado quando Max Horkheimer assumiu a direção do Instituto de Pesquisas
Sociais em janeiro de 1931, e depois no ensaio "Teoria tradicional e teoria
crítica" publicado na Revista do Instituto em 1937 (2). Este último suscitou
toda uma discussão interna cuja manifestação mais acabada foi o artigo de
Herbert Marcuse "Filosofia e teoria crítica" (3).
Esses três textos podem ser lidos, portanto, como uma espécie de programa da
Escola, assentado em duas premissas. Por um lado, enquanto programa científico
ou acadêmico, ficou conhecido como "materialismo interdisciplinar"(4). Quando
assumiu a direção do Instituto, Horkheimer propôs um programa de trabalho que
enfatizasse sobretudo a interdisciplinaridade. Ao assumir a catédra, condição
para ascender à direção do Instituto, Horkheimer alterou sua denominação. Como
não queria ser um professor só de filosofia e tampouco só de sociologia, criou o
nome de "filosofia social". Além disso, reuniu em torno de si, no Instituto de
Pesquisas Sociais, especialistas das mais diversas áreas. Havia, por exemplo,
vários especialistas em psicanálise. O principal deles, na primeira geração, foi
Erich Fromm, nome muito importante no interior da Escola durante os anos 30, mas
que depois, no exílio nos Estados Unidos, acabou adotando posições antagônicas
às suas posturas anteriores, tanto assim que um epílogo no livro do Marcuse,
Eros e Civilização, foi escrito contra ele (5). Mas, num primeiro momento,
nos anos 30, Fromm era um dos baluartes desse vínculo entre a Escola de
Frankfurt e a psicanálise (6).
Havia também especialistas em artes. Os dois principais foram Leo Lowenthal, que
escreveu sobre cultura popular, cultura erudita e sobre a relação entre elas (7)
e também sobre Dostoiévski, cuja recepção na Alemanha, segundo ele, se inseriu
num clima de irracionalismo, prenunciando a onda que culminou, em 1933, com a
ascensão dos nazistas ao poder. Outro especialista em arte foi Theodor Adorno,
que apesar de filósofo, era nos anos 30 mais conhecido como crítico de música.
Após o seu doutoramento, em 1924, abandonou tudo para estudar música em Viena
com Alban Berg. Tinha veleidades de artista e tentou iniciar uma carreira como
músico. Após uma estada de dois anos na Áustria, onde conviveu com a segunda
Escola de Viena (Schoenberg, Webbern e Berg), retornou a Frankfurt, de onde era
originário. Amigo de Horkheimer, integrou-se, ao círculo mais íntimo da Escola
de Frankfurt.
Havia também especialistas em economia, cujo nome mais importante era o de
Henryk Grossmann, que escreveu um livro sobre a tendência de queda da taxa de
lucro e o colapso do capitalismo (8), retomando algumas das discussões que
vinham, desde os anos 1890, se desenrolando no interior do marxismo alemão.
Havia também teóricos do Estado, como Franz Neumann, de formação sobretudo
jurídica. Além de teórico do direito, Neumann vai ter um papel muito importante
nos anos 40, quando a Escola se transferiu para os EUA, como o principal
formulador de uma interpretação do nazismo que dividiu os membros da Escola de
Frankfurt. Neste período, escreveu um livro muito importante, Behemoth,
infelizmente ainda não traduzido para o português, sobre o caráter da sociedade
nazista (9).
A maior parte da concepção econômica da Escola de Frankfurt, entretanto, foi
desenvolvida por Friedrich Pollock, cuja importância na Escola de Frankfurt as
novas interpretações não cansam de salientar. Formou com Horkheimer, por toda a
vida, uma dupla inseparável. Ao assumir a direção do Instituto, Horkheimer
tornou-se responsável principalmente pelo contato com as pessoas, pelo aspecto
mais público, político até, do cargo. Quem cuidava das questões administrativas,
burocráticas e sobretudo do setor crucial de finanças, essenciais para a
manutenção do Instituto (e da Escola) era Pollock. No campo intelectual, a sua
maior contribuição foi ao estudo do capitalismo de Estado (10), decorrente em
parte de seus trabalhos sobre a economia da URSS. À luz desse conceito,
desenvolveu na passagem para os anos 40 uma interpretação do nazismo distinta e
destoante da de Neumann (11).
Apresentei-lhes esses autores e um pouco dos seus trabalhos nos anos 30, para
lhes mostrar que esse projeto de um materialismo interdisciplinar não permaneceu
como um mero programa, mas desembocou em uma prática efetivamente real.
Cabe, agora, indagar, pelo porquê desse projeto. Afinal, por que congregar
psicanalistas, filósofos, críticos de arte, economistas, teóricos do Estado,
sociólogos, num trabalho conjunto de pesquisa? Que trabalho era este, como ele
nascia, o que eles pretendiam?
Para esclarecer um pouco isso, é preciso retomar o próprio momento histórico de
fundação da Escola de Frankfurt. O Instituto que serviu de suporte para a Escola
- não propriamente a Escola, pois esse conceito só faz sentido depois que
Horkheimer assume a direção do instituto em 1931 - foi fundado no início dos
anos 20. Nessa época, Horkheimer não passava de um estudante de pós-graduação em
filosofia. Como se sabe, logo após a Primeira Guerra Mundial, e sob o influxo da
Revolução Russa de 1917, houve uma vaga revolucionária que percorreu toda a
Europa. Houve rebeliões em Turim, instauração de conselhos de fábricas na
Baviera e em Berlim. Após o fracasso de uma dessas tentativas revolucionárias
foi morta Rosa Luxemburg. Além disso, com o fim da Primeira Guerra e a derrota
da Alemanha, caiu o regime monárquico que era um dos pilares do autoritarismo e
do militarismo que caracterizou a Alemanha nos primeiros anos do século. Em
contraposição a isso ascendeu ao poder, em coalisão com os partidos burgueses -
é isso a famosa República de Weimar - a social-democracia alemã, que era muito
diferente do partido, embora o nome seja o mesmo (SPD), e mais diferente ainda
da social-democracia que temos no Brasil. Naquele tempo era partido marxista,
que se dizia fiel seguidor dos princípios de Marx e Engels. Aliás, sua fundação
e formação foi acompanhada de perto pelo próprio Engels.
Essa social-democracia, disputava o espaço, sobretudo nos 20 e 30, no interior
do marxismo, com os comunistas. Aliás, todos tiveram, num primeiro momento, a
mesma denominação de social-democrata. Só depois, após 1917, a vertente mais à
esquerda passou a adotar a denominação de comunista. O partido de Lenin, que
tomou o poder na Rússia, chamava-se Partido Social Democrata Operário Russo e
foi montado nos moldes do SPD alemão, só que lá, devido a conjunturas políticas
diversas, assumiu uma forma totalmente distinta.
Quando o Instituto foi fundado, nos anos 20, havia esse confronto no interior do
marxismo. O marxismo que até então havia conquistado uma unidade e uma
identidade própria, passou, a partir de então a conviver com o risco de uma
fragmentação e de uma desagregação. Na sua origem, por um longo tempo o
Instituto foi estritamente marxista, embora talvez hoje não seja esta a imagem
que temos dele. Quando se lê os principais livros sobre a Escola de Frankfurt,
seja o do Wiggershaus ou um mais clássico e anterior, de Martin Jay (12), tem-se
a impressão de que o Instituto nasceu como um braço da filosofia. Entretanto,
não há nada mais equivocado do que isso: o Instituto nasceu dentro da tradição
marxista e tinha o firme propósito de continuar esse legado. O objetivo de seus
fundadores e de toda essa primeira geração era apresentar um modelo de marxismo
que pudesse ser uma alternativa ao conflito que dividia o marxismo. Tratava-se,
neste momento de crise e fragmentação, de retomar a tradição do marxismo, com a
consciência de que, a par das divergências políticas, o caminho para retomar a
identidade do marxismo passava pela teoria.
O Instituto nasceu, portanto, como um esforço no sentido de aprofundar a teoria
marxista, o que tinha nesse momento um sentido bem claro. Esse sentido torna-se
vísivel, por exemplo, em Lukács - se vocês quiserem ler uma coisa bem rápida
sobre o início da Escola de Frankfurt, recomendo-lhes o prefácio de História
e Consciência de Classe (13), pois embora Lukács não seja um membro da
Escola, suas posições neste momento, em 1923, eram muito próximas do espírito da
Escola. Lukács, nesse prefácio, afirma que só o marxismo pode explicar os
acontecimentos históricos dos últimos anos. Só o marxismo tinha, por exemplo,
fornecido uma explicação convincente - a teoria do imperialismo - para a guerra
de 1914. Quando se acompanha o debate cultural alemão da época - o livro de
Thomas Mann, A Montanha Mágica (14), é uma magnífica súmula disso -
percebe-se que para a maioria das pessoas, principalmente para aquelas não
formadas na tradição do marxismo, a guerra surgiu como um raio em céu azul.
Nos últimos anos do século XIX e nos primeiros do século XX havia uma crença
generalizada no desenvolvimento humano e social: acreditava-se que a humanidade
estava se encaminhando para níveis de vida cada vez mais superiores. Essa crença
na evolução e essa fé no progresso se assentavam, como hoje, no incessante
desenvolvimento científico e tecnológico. O que se esperava, principalmente na
Alemanha, era um futuro cada vez mais radiante. No entanto, a partir de 1914,
toda uma geração foi morta nos campos de batalha. A Primeira Guerra, como vocês
sabem, foi uma das mais mortíferas da história. Foi uma guerra de trincheiras,
da forma que ficou consagrada nos filmes: cavava-se uma trincheira de cá, outra
de lá, e ficavam trocando tiros. Morreu muito mais gente do que em qualquer
guerra anterior. Morreu toda uma geração.
Em seguida, os russos - Lenin e Trotski à frente - tomaram o poder e fundaram a
União Soviética. Esses acontecimentos que no início dos anos 20 demandavam uma
explicação -a Guerra e a Revolução -, insiste Lukács no referido prefácio, só
podiam ser explicados pelo marxismo (15).
Era esse o espírito que movia os fundadores da Escola de Frankfurt. O que estava
implícito nesse juízo de Lukács, ponto de vista compartilhado por toda essa
primeira geração de frankfurtianos, era o de que só de dentro do marxismo seria
possível conhecer verdadeiramente o presente, a sociedade, o mundo que nos
cerca. Foi, portanto, a preocupação com o "presente histórico" - no jargão da
época - que moveu, em seus primórdios, a Escola de Frankfurt.
Esta preocupação passava, no momento, por uma alternativa apta a superar a
"crise" do marxismo, isto é, a sua divisão em interpretações diferentes e em
distintas e concorrentes estratégias políticas. Enquanto os russos, obviamente,
achavam que o melhor caminho era a generalização por toda a Europa da sua
experiência revolucionária, posição compartilhada por muitos outros socialistas,
a social-democracia alemã (o SPD) julgava que o melhor caminho para o poder -
parodiando o título de um livro de Karl Kautsky (16) - passava por uma lenta e
gradual evolução e transformação do capitalismo, ou melhor, por reformas que
permitissem ampliar a participação política e democrática dos trabalhadores. Seu
projeto, portanto, consistia basicamente no esforço em ampliar a democracia,
consolidando as instituições democráticas récem-gestadas na Alemanha e a
organização dos trabalhadores, sobretudo pela via dos sindicatos. Este era um
ponto crucial na crise do marxismo de então: uma discordância completa quanto ao
caminho e aos meios para se chegar ao poder, pela via das reformas ou da
revolução. Outro ponto dessa questão passava, evidentemente, pela análise que
estava na base desses diagnósticos e prognósticos diferenciados, isto é, pela
distinta avaliação acerca dos acontecimentos que moldavam, no pós-guerra, uma
nova sociedade.
A Alemanha tornava-se uma sociedade cada vez mais complexa sob o influxo de um
processo muito rápido de industrialização que os sociólogos chamam hoje de
modernização conservadora. A industrialização e mesmo a urbanização eram
recentes na Alemanha. Intensificaram-se e se consolidaram apenas no último
quartel do século XIX, durante o governo de Bismarck, transformando
repentinamente a Alemanha numa potência industrial, ampliando o seu poderio que
antes era apenas militar.
Tudo isso demandava uma explicação, ou melhor, essas questões estavam no ar. É
nesse contexto que surge o programa de Horkheimer de um materialismo
interdisciplinar. Para compreender o mundo, Horkheimer julgava, como Lukács, que
se deveria partir do marxismo, mas, eis aí a novidade, refundindo-o com a
incorporação de outros saberes. Esse movimento de abertura, de incorporação das
ciências burguesas já havia sido ensaiado em dois livros publicados no momento
da fundação do Instituto: História e Consciência de Classe, de Lukács, e
Marxismo e Filosofia, de Karl Korsch (17).
História e Consciência de Classe, como vocês sabem, incorporou a teoria
weberiana da racionalidade. A análise histórica e sociológica de Weber, de que
havia um progressivo desencantamento do mundo e que a sociedade se tornava cada
vez mais racional, foi associada com a doutrina marxista da reificação. Em
Marxismo e Filosofia, Korsch retomou as origens filosóficas, mais
propriamente hegelianas, do marxismo, reabilitando a filosofia do idealismo
alemão, que havia sido abandonada pela geração social democrata e comunista,
embora na frase final de Ludwig Feuerbach e o Fim da Filosofia Clássica Alemã
(18) Engels afirme que o movimento operário era o herdeiro do idealismo alemão.
Esse movimento iniciado com Lukács e Korsch, denominado pelos historiadores das
idéias de "marxismo ocidental", tem um dos seus eixos na abertura para saberes,
teorias científicas ou filosóficas, não diretamente marxistas. Nesse sentido,
uma das novidades do materialismo interdisciplinar proposto por Horkheimer foi a
tentativa de compatibilizar Marx e Freud, questão que veio a se tornar
extremamente relevante nos anos 30.
Outro fator, além do estabelecimento e cumprimento de um programa, que permite
situar esse grupo de pensadores como uma Escola refere-se ao fato de possuir um
centro institucional, uma espécie de sede. O Instituto de Pesquisas Sociais
funcionava e ainda funciona hoje em dia em um prédio em Frankfurt construído
pelos arquitetos da Bauhaus. O Instituto era uma entidade pública - mais ou
menos no sentido de que se fala hoje em entidades públicas em lugar de estatais,
no debate político brasileiro contemporâneo - agregada à Universidade de
Frankfurt. Embora respeitasse os currículos escolares determinados pelo
Ministério, tinha autonomia, conferida principalmente pelo fato de que havia um
aporte financeiro, construído a partir da doação de um milionário marxista,
Felix Weil, cujo pai havia enriquecido exportando trigo na Argentina.
Essa base financeira foi muito importante porque logo que assumiu a direção do
Instituto em 1931, uma das primeiras providências de Horkheimer foi montar uma
sucursal do Instituto em Genebra, antevendo as dificuldades que teriam na
Alemanha. Marcuse, por exemplo, que se integrou nessa época ao Instituto foi
escalado para trabalhar lá.
Mesmo Genebra não pareceu muito segura a Horkheimer que acabou transferindo o
Instituto para os EUA. Instalaram-se primeiro em Nova York, graças a um acordo
com a Universidade de Columbia, e depois em Los Angeles. O dinheiro continuou
guardado em bancos suíços, o que foi determinante porque, com a ascensão de
Hitler ao poder e em seguida com a Segunda Guerra, uma parcela considerável da
geração de intelectuais alemães que se exilaram nos EUA foi sustentada pelo
Instituto. Assim, além das afinidades intelectuais e políticas, havia também
esse outro elemento aglutinador: o dinheiro, centralizado nas mãos de Pollock.
O Instituto tinha, além de um programa, de uma sede não muito fixa e da crucial
independência financeira, um trabalho editorial. Publicavam uma coleção de
livros e uma revista, em português Revista de Pesquisas Sociais, onde foi
publicada a maior parte dos textos de Horkheimer (alguns deles traduzidos para o
português) (19), alguns textos de Marcuse (recém publicados no Brasil) (20), os
primeiros textos de Adorno e os textos mais diretamente marxistas de Walter
Benjamin (o que inclui a maior parte dos textos que escreveu nos anos 30,
inclusive o famoso "A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica"
(21) ).
A conjunção desses três elementos: uma sede, um programa, e uma revista
(enquanto canal de expressão) permite-nos falar propriamente de uma Escola, o
que vale pelo menos para essa época. Embora a sede tenha variado de localização,
e com a diáspora muito não tenham se reintegrado nos EUA, como foi o caso de
Walter Benjamin, a revista continuou por um bom tempo tornando-se o principal
pólo aglutinador do grupo. Depois de 1933, com a subida de Hitler ao poder, eles
se espalharam pela Europa: alguns foram para a França, outros para Genebra,
outros para a Inglaterra. A revista continuou a ser publicada em alemão, pela
editora Felix Alcan, de Paris, até 1937, quando o Instituto se transferiu
definitivamente para Nova York. No final dos anos 30 a revista passou a ser
publicada em inglês, no mesmo período em que Horkheimer e Adorno iniciaram
trabalho conjunto, em alemão, que resultou no livro Dialética do
Esclarecimento (22). Como Adorno explicou depois, eles julgavam importante
escrever em alemão, como forma de resistir ao poder nazista, procurando, mesmo
no exílio, manter os vínculos com a cultura alemã e evitar que a língua e a
cultura fossem completamente deturpadas.
Podemos dizer que até os anos 30 o marxismo estava mais preocupado com o aspecto
dinâmico do capitalismo, isto é, com a questão do desenvolvimento das forças
produtivas. O que se justifica perfeitamente pelo fato de que havia então uma
efetiva possibilidade revolucionária. Nessa época, a esperança, a própria idéia
de revolução não era uma coisa tão impensável quanto é hoje. Além disso, não nos
esqueçamos de que o grupo de marxistas que fundou a Escola de Frankfurt tinha no
horizonte a possibilidade efetiva de auxiliar na construção de uma república
soviética alemã. Já nos anos 30, com o fracasso da revolução européia, com a
ascensão do fascismo e do nazismo, com a destruição dos partidos e das
instituições gestadas pelo movimento operário a situação era inteiramente outra.
A questão do momento estático do capitalismo, isto é, do seu movimento de
reprodução, veio à tona com bastante ênfase, justificando a necessidade, para
além dos aspectos econômicos, de compreender os demais fatores, sobretudo os
psicológicos, atuantes na permanência de um regime que beneficia apenas uma
minoria.
Daí a atualidade da mescla que o Instituto promoveu entre Freud e Marx. No
Manifesto do Partido Comunista (23), escrito a exatos 150 anos, em 1847, por
Marx, já estão esboçados alguns dos princípios do capitalismo que ainda hoje têm
vigência. A própria idéia de uma dialética do Esclarecimento já está lá,
presente, na medida em que o marxismo se apresenta de uma forma bifronte frente
à modernização, ao mundo capitalista. O marxismo é talvez o único movimento
defensor e, ao mesmo tempo, crítico da modernidade. Isto está bem caracterizado
no Manifesto, que louva o desenvolvimento das forças produtivas, o trabalho
político e econômico levado a cabo pela burguesia, tanto no que tange à
liquidação do feudalismo, quanto das relações pessoais próprias do antigo
regime, destacando positivamente o mundo urbano, a industrialização, a crítica
da "idiotia rural", e ao mesmo tempo é extremamente crítico - certamente a
crítica mais contundente - da sociedade capitalista.
Há no Manifesto dois eixos explicativos que determinam o capitalismo como sendo,
ao mesmo tempo dinâmico, e estático. Dinâmico porque se caracteriza por um
incessante desenvolvimento das forças produtivas, desdobramento de novas formas
e modalidades de produção, dos modos de vida, da ciência e da tecnologia. Para
usar uma frase que saiu de lá e depois virou título de livro (24), no
capitalismo tudo o que é sólido se desmancha no ar.
Por outro lado, o capitalismo tem um pólo estático: mantém inalteradas
determinadas relações de produção, o antagonismo de classe, a dominação etc.
Apesar da fraseologia liberal, ele não constitui uma sociedade aberta. Por mais
ampla que seja sua abertura no sentido político (embora mesmo aqui, ele seja
incompatível, por exemplo, com a democracia direta), por mais que permita
avanços no campo da democracia, há um ponto, essencial ao próprio capitalismo,
que é típico de sociedades fechadas: o capitalismo se divide entre proprietários
dos meios de produção e os que são forçados a vender a sua força de trabalho.
Trata-se de uma relação estanque que inibe qualquer laivo de mobilidade. Você
pode até vir a ganhar mais, mas dificilmente quem vende a sua força de trabalho
se torna proprietário das forças de produção. Esse entrave impede que o
capitalismo seja de fato a sociedade aberta que os seus ideólogos apregoam.
Mais do que isso, Marx estabelece no Manifesto que o capitalismo é uma
sociedade dinâmica, devido à sua incessante transformação (dos modos de vida,
das forças produtivas etc.), e ao mesmo tempo uma sociedade estática, porque se
reproduz, a cada dia, sob os mesmos moldes. Essa a novidade do capitalismo,
cristalizada na questão econômica decisiva da acumulação do capital, que em
termos mais simples pode ser expressa assim: como uma sociedade que se modifica
incessantemente consegue se congelar nas mesmas classes sociais?
Desde 1875, quando foi fundado o SPD, até 1930, o marxismo esteve preocupado
sobretudo com o desenvolvimento das forças produtivas (25). Na fórmula de
Bernstein, o socialismo não é uma questão de repartição das riquezas, mas de
desenvolvimento das forças produtivas. Essa concepção não era exclusividade dos
reformistas, o próprio Lenin assinaria embaixo. Indistintamente, à direita e à
esquerda, o socialismo era visto como uma sociedade que resolveria o embaraço
das forças produtivas. O socialismo liberaria o desenvolvimento científico e
tecnológico, entravado pelo capitalismo.
Claro que se tratava de um capitalismo distinto do modelo implantado após 1930
pelo keynesianismo, que foi montado exatamente para libertar o capitalismo
desses entraves, de suas crises periódicas. Mas, trata-se também de uma
concepção de socialismo, de marxismo, que fez muitos estragos pelo mundo afora,
na implantação do comunismo no Leste europeu e no Terceiro Mundo. Essa ênfase
nas forças produtivas influenciou até pensadores que não foram propriamente
marxistas como é o caso, por exemplo, de FH Cardoso. O nosso presidente, que se
julga marxista por formação, vive apregoando que está desenvolvendo as forças
produtivas, e que isso é mais importante do que a repartição da riqueza.
A partir dos anos 30, e por todo o decorrer do século, a preocupação deslocou-se
totalmente para os aspectos estáticos do capitalismo. Grande parte da
credibilidade da Escola de Frankfurt resultou do seu pioneirismo em perceber
essa virada. O capitalismo, apesar de todos os prognósticos, permanecia
vitorioso em toda a Europa, com exceção do pedaço anti-capitalista - pois não
era propriamente socialista - da URSS, o que deslocou completamente o foco de
atenção do marxismo. Não se tratava mais de pensar o socialismo como o
desenvolvimento das forças produtivas, mas antes de procurar compreender por que
meios o capitalismo se mantém, de entender o funcionamento dos mecanismos que
possibilitam a sua incessante reprodução.
A atualidade da junção de Freud e Marx assenta-se no fato de que fatores de
ordem psicológica são decisivos para se explicar como um regime que não
beneficia a maioria da população é apoiado e sustentado por essa maioria.
Desenvolveu-se então uma série de explicações que não se restringem só à
aplicação de psicologia social (embora o Freud que mais interesse seja o
psicólogo social, aquele da Psicologia de Grupo e a Análise do Ego (26)
que discute, entre outras coisas, as teorias de Gustave Le Bon acerca da
manipulação na sociedade de massas), mas incorporam também a análise psicológica
individual. Posteriormente Marcuse vai dar nova vida aos escritos
metapsicológicos, uma parte pouco estudada de Freud, que só passaram a ser
devidamente valorizados após Eros e Civilização - os textos freudianos
O Futuro de uma Ilusão e Mal-estar na Civilização (27).
Essa preocupação em compreender a permanência do capitalismo explica não só a
inclusão de Freud, mas também a preocupação com a esfera cultural. As análises
culturais passaram a ser decisivas para a compreensão das pilastras que
mantinham a reprodução capitalista. É o caso da explicação, hoje famosa, da
massificação da cultura, do controle das mentes pelos meios de comunicação, pelo
cinema, pelo rádio etc. por meio do conceito "indústria cultural" feita
principalmente por Theodor Adorno (28). A experiência estética individual, a
atenção inerente à fruição de uma obra de arte desaparece na indústria cultural.
Não é incongruente com esse tipo de fruição, aliás tornou-se até um dos símbolos
mais associado a ele, a possibilidade de assistir cinema ou TV comendo pipoca ou
mesmo conversando. Atrofia-se assim não só a capacidade individual de apreensão
estética, mas também, com ela, a esperança de emancipação que a obra de arte
encarnava.
Afirmei, no início, que a Escola de Frankfurt nos anos 30 se pautava um pouco
por dois manifestos. O primeiro ficou conhecido como "materialismo
interdisciplinar". O outro pode ser apreendido de um artigo de Max Horkheimer de
1937 denominado "Teoria tradicional e teoria crítica", bem como nas observações
críticas que lhe foram endereçadas por Herbert Marcuse em "Filosofia e teoria
crítica". O "materialismo interdisciplinar" que, como vimos, orientou as
pesquisas do Instituto ao longo dos anos 30, funcionou como uma espécie de
ferramenta geral para a implementação do propósito de renovar o marxismo e
aprofundar a compreensão da sociedade contemporânea. Já esse segundo conceito,
"Teoria crítica", vai funcionar como uma espécie de eixo aglutinador teórico da
Escola depois dos anos 40, quando acaba o trabalho de cooperação
institucionalizado que marcou os anos 30.
Após 1945, o Instituto se desagrega. Alguns dos membros principais do Instituto
resolvem voltar para a Alemanha, enquanto outros permanecem nos EUA. Herbert
Marcuse e Erich Fromm permanecem na América e aí tomam direções completamente
distintas, tendo Marcuse mantido sua fidelidade teórica à Escola. Adorno e
Horkheimer, junto com Pollock retornam à Europa, mas dos três apenas Adorno, que
era o mais moço, desenvolveu uma obra original no pós-guerra. Embora Horkheimer
conservasse ainda a função de diretor do Instituto não era mais possível, no
sentido forte do termo, falar em uma manutenção da Escola. Não existia mais a
revista, nem a cooperação interdisciplinar, marca de um projeto coletivo,
própria dos anos 30.
A partir dos anos 50, o único ponto em comum passa a ser a referência constante,
nas obras desses autores, à "teoria crítica". Tanto assim que um outro codinome
bastante difundido e pertinente do grupo é "Teoria Crítica da Sociedade". Nesta
última fase, cada um desses autores relêem e reinterpretam a teoria crítica à
sua maneira: Adorno, repensa a teoria crítica como dialética negativa; Habermas,
por sua vez, tenta retomar, ainda que individualmente, as coordenadas do projeto
de um "materialismo interdisciplinar", procurando englobar o máximo de saberes
em sua "teoria do consenso", nem sempre de forma muito crítica. Aliás, nesse
sentido, pode-se também dizer que sua releitura do "materialismo
interdisciplinar" privilegia mais o aspecto teórico que o gume crítico, como
fica bem claro, por exemplo, em seu livro Para uma Reconstrução do
Materialismo Histórico (29).
Mas, afinal de contas, em que consiste propriamente essa Teoria Crítica?
Uma das características mais recorrente do marxismo ocidental - que se inicia
com História e Consciência de Classe - é a tentativa de buscar uma
identidade teórica para o marxismo a partir de uma unidade metodológica, isto é,
pelo recurso ao método. Frente às inúmeras divergências acerca de linhas
políticas ou mesmo sobre teses teóricas (Bernstein já alertava que a obra de
Marx e Engels possibilita as filiações mais diversas), esses autores, um tanto
candidamente, apontam a determinação prévia do método, como solução.
Lukács, por exemplo, indaga pelo critério que permitiria que alguém em 1923, 50
anos após a morte de Marx, afirmasse peremptoriamente sua filiação ao marxismo.
Sua resposta é que o crivo de distinção, o ponto decisivo que possibilita a
identificação de um marxista é o método. Independe da aceitação de uma ou outra
tese de Marx, o que verdadeiramente importa é a adesão ao método de Marx, bem
como a sua aplicação a três temas que se tornaram decisivos a partir de então:
(a) compreensão da história do marxismo, (b) reconstituição teórica da obra de
Marx, (c) análise da sociedade contemporânea (30). Em História e Consciência
de Classe, Lukács identifica esse método, a dialética marxista, em muitos de
seus aspectos centrais, com a dialética hegeliana.
Horkheimer, em "Teoria tradicional e teoria crítica", herda de Lukács essa idéia
de que a restauração do marxismo passa pelo método, mas dito de forma sucinta,
em vez da dialética hegeliana, propõe a Teoria Crítica. Como se sabe, vários
livros de Marx tem no título ou no subtítulo a palavra crítica, incluindo O
Capital que tem por subtítulo "crítica da economia política" (31). Assim,
Horkheimer retoma o termo não na acepção kantiana da Crítica da Razão Pura
(32), mas em seu sentido marxista. Com isso, Horkheimer reestabelece a
prioridade da crítica da sociedade moderna burguesa como um aspecto essencial ao
marxismo. Além disso, determina-o por meio de um método que confronta, pela via
da crítica imanente, as promessas dessa sociedade com suas realizações (33).
Lukács reabilita, em História e Consciência de Classe, a noção de
reificação ou fetichismo da mercadoria (34) que, apesar de presente em O
Capital (35), foi ignorada até então (1923) por quase toda a tradição do
marxismo, pois estes, como já se disse, estavam mais preocupados com o momento
dinâmico do capitalismo. É óbvio que a leitura meio hegeliana que Lukács fez da
obra de Marx também contribuiu para o resgate desse aspecto, além é claro da sua
capacitação enquanto filósofo acadêmico.
A atenção a essa noção permitiu a Lukács destacar que as relações sociais
aparecem na sociedade capitalista como relações entre coisas, ou melhor, tudo
aquilo que na verdade é resultado do trabalho social aparece imediatamente,
inclusive aos participantes desse processo, como relação, fixa e eterna, entre
coisas. Nessa trilha, Horkheimer e, de modo geral, a totalidade da Escola de
Frankfurt, vão privilegiar a compreensão dessa distorção "estruturante" da
sociedade que faz com que haja (e apareça como normal para as pessoas)
compatibilidade entre coisas tão díspares como as mercadorias e o tempo (de
trabalho) humano. O dinheiro, mediador desse processo, torna equivalentes coisas
em si incomensuráveis.
Como o meu tempo já se esgotou há muito gostaria apenas de concluir lembrando
que o tratamento desses dois aspectos ressaltados por Horkheimer - a ênfase no
marxismo como crítica da sociedade contemporânea e o destaque dado ao papel do
fetichismo da mercadoria enquanto mecanismo vital para a reprodução de uma
sociedade intrinsecamente injusta - garantiram à Teoria Crítica, aliados à
abordagem original de outros temas que deixei de falar aqui, uma sobrevida que
se estendeu pelo século afora. Em certa medida, creio que parte dessa teoria
terá atualidade enquanto vigorar o sistema capitalista. O que está em acordo com
o seu propósito inicial de se situar, nas pegadas de O Capital, como uma
espécie de autoconsciência da nossa sociedade.
Conferência proferida em 14 de julho de 1997, na abertura do Curso de Extensão
sobre a Escola de Frankfurt no Direito, na Faculdade de Direito da UFPR. As
referências bibliográficas foram colocadas em notas por Laércio A. Becker, a
quem o autor agradece.
(1) Rolf Wiggershaus.
Die Frankfurter Schule. Munich: Carl Hanser Verlag, 1986. Há tradução para o
inglês (Cambridge, Mass.: MIT, 1994) e para o francês (P.U. F.: Paris, 1993).
(2) Max Horkheimer. Teoria tradicional e teoria crítica. In: Benjamin,
Adorno, Horkheimer e Habermas. Os pensadores. 2ª ed. São Paulo: Abril
Cultural, 1980. p. 117 e ss.
(3) Herbert Marcuse. Filosofia e teoria crítica. In: _____. Cultura e Sociedade,
v. I. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997. p. 137 e ss.
(4)
Sobre o assunto, ver Wolfgang Bonß. The Program of Interdisciplinary Research
and the Beginnings of Critical Theory. In: Seyla Benhabib, Wolfgang Bonß e John
McCole. On Max Horkheimer.
Cambridge, Mass.: MIT,
1993. p. 99 e ss.
(5) Herbert Marcuse. Crítica do revisionismo neofreudiano. In: _____. Eros e
Civilização. Rio de Janeiro: Zahar, 1968. p. 205 e ss.
(6) O único ensaio de Fromm deste período traduzido para o português é "O Dogma
de Cristo" de 1930 In: Erich Fromm. O Dogma de Cristo. Rio de Janeiro:
Zahar, 1978. Sobre a psicanálise na Escola de Frankfurt, consultar também Sérgio
Paulo Rouanet. Teoria Crítica e Psicanálise. Rio de Janeiro: Tempo
Brasileiro, 1983.
(7) Literature, Popular Culture and Society.
Englewood
Cliffs: Spectrum, 1961.
(8) Henryk Grossmann. Das Akkumulations und Zusammenbruchsgesetz des
kapitalistischen Systems. Leipzig: Hirschfeld, 1929.
(9) Franz Neumann. Behemoth: the Structure and Practice of National Socialism.
2ª ed. Toronto: Oxford University Press, 1944.
(10) Friedrich Pollock. State Capitalism: Its Possibilities and Limitations. In:
Andrew Arato e Eike Gebhardt (orgs.). The Essential Frankfurt School Reader.
Oxford: Blackwell, 1978. p. 71 e ss.
(11) Friedrich Pollock. Is National Socialism a New Order? Studies in
Philosophy and Social Science, v. 9, nº 3, 1941, p. 440 e ss.
(12) Martin Jay. The Dialectical Imagination: a History of the Frankfurt
School and the Institute of Social Research, 1923-1950.
2ª ed. Berkeley:
University of California Press, 1996. Há tradução para o espanhol (Madrid:
Taurus, 1986).
(13) Georg Lukács. História e Consciência de Classe. Porto: Escorpião,
1974.
(14) Thomas Mann. A Montanha Mágica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,
1980.
(15) "a guerra, a crise e a revolução, incluindo também o ritmo dito mais lento
do desenvolvimento da revolução e a nova política econômica da Rússia soviética,
não criaram um único problema que não possa ser precisamente resolvido pelo
método dialético assim compreendido e só por ele." (Georg Lukács. Op. cit., p.
9)
(16) Karl Kautsky. O Caminho do Poder. São Paulo: Hucitec, 1979.
(17) Karl Korsch. Marxismo e Filosofia. Porto: Afrontamento, 1977.
(18) Friedrich Engels. Ludwig Feuerbach e o Fim da Filosofia Clássica Alemã.
São Paulo: Edições Sociais, 1977.
(19) Max Horkheimer. Teoria Crítica, I. São Paulo: Perspectiva, 1990.
(20) Herbert Marcuse. Cultura e Sociedade, v. I. Rio de Janeiro: Paz e
Terra, 1997. Sobre esse volume confira a resenha Marxismo, crítica e utopia.
Jornal de resenhas, 13.04.97, p. 09.
(21) In: Walter Benjamin. Obras Escolhidas, I, p. 165-196. São Paulo:
Brasiliense, 1985.
(22) Theodor W. Adorno e Max Horkheimer. Dialética do Esclarecimento. Rio
de Janeiro: Zahar, 1986.
(23) Karl Marx e Friedrich Engels. Manifesto do Partido Comunista.
Petrópolis: Vozes, 1996.
(24) Marshall Berman. Tudo que é sólido desmancha no ar. São Paulo:
Companhia das Letras, 1987.
(25) Eduard Bernstein. Socialismo Evolucionário. Rio de Janeiro: Zahar,
1964.
(26) Sigmund Freud. Psicologia de Grupo e a Análise do Ego. Rio de
Janeiro: Imago, 1976.
(27) Ambos os textos estão publicados no vol. XXI da edição standard brasileira
das obras completas de Freud (Rio de Janeiro: Imago, 1974) e reproduzidos no
volume Freud da coleção Os Pensadores.
(28) Theodor W. Adorno e Max Horkheimer. Dialética do Esclarecimento.
cit., p. 113 e ss. Theodor W. Adorno. A indústria cultural. In: _____.
Grandes Cientistas Sociais. São Paulo: Ática, 1994. p. 92 e ss.
(29) Jürgen Habermas. Zur Rekonstruktion des Historischen Materialismus.
Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1976. Há tradução para o português (São Paulo:
Brasiliense, 1983).
(30) Georg Lukács. Op. cit., p. 08 e ss.
(31) Karl Marx. O Capital. Crítica da Economia Política. São Paulo: Abril
Cultural, 1983; _____ . Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. Lisboa:
Presença, s. d.; Karl Marx e Friedrich Engels. A Sagrada Família ou Crítica
da Crítica Crítica - Contra Bruno Bauer e seus Seguidores. São Paulo:
Moraes, 1987.
(32) Immanuel Kant. Crítica da Razão Pura. Lisboa: Calouste Gulbenkian,
1985.
(33) Ricardo Musse. Marxismo: ciência revolucionária ou teoria crítica?
In: Ricardo Antunes e Walquiria Leão Rêgo (orgs.). Lukács: um Galileu no
século XX. São Paulo: Boitempo, 1996. p. 90.
(34) Georg Lukács. Op. cit., p. 97 e ss.
(35) Karl Marx. O capital, v. I. São Paulo: Abril Cultural, 1983. p. 71.
Originalmente publicado na revista Quaestio Iuris
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