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TEXTOS Roberto Schwarz |
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"Na poesia de Francisco Alvim estão juntos o mais alto lirismo e o conhecimento refletido e desabusado da vida contemporânea. Difícil de conseguir, esta aliança de faculdades inimigas não deixa a espontaneidade resvalar para a irrelevância e o kitsch, nem aceita a perspicácia sem transcendência, a desambição humana que por vezes diminui o realista. Quem diria que lugares-comuns da depuração lírica, tais como ´a luz, o tempo, a água, o nada, o vento, o infinito´, pudessem pautar a figuração talvez mais profunda e impiedosa do período recente? Usadas sem preciosismo ou pompa, aquelas palavras tão genéricas entram em simbiose com toda a antipoesia - esta muito específica - de que a formação social brasileira vem sendo capaz: impunidade oficial, adesão conscienciosa ao opressor, meandros morais do empreguismo, polícia atuando por conta própria, além dos desdobramentos correlatos na vida amorosa e na conduta popular. É claro que o espelhamento recíproco de sentimento cósmico e notação do desarranjo social permite leituras variadas, que não tentaremos aqui. Mas fique assinalado um de seus efeitos: o compromisso com os elementos naturais faz que não caiba no conceito trivial dele mesmo. A função esclarecida do lirismo aqui é tangível." Roberto Schwarz,
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