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TEXTOS Roberto Schwarz |
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Pensamento iluminista |
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Roberto Schwarz brilha em Sequências brasileiras fazendo um apurado ensaio da cultura nacional
Na primeira parte de Sequências brasileiras, que traz quatro ensaios sobre Antonio Candido e, mais particularmente, sobre sua Formação da literatura brasileira, o tom inevitavelmente exegético de alguns momentos é amplamente compensado pela argúcia com que se decifra o pensamento de um autor que já ganhou aura de mito e, por conta disso, é hoje mais admirado do que lido. Schwarz mostra como a rajetória de Candido, que imprimiu um novo estilo e um novo método ao raciocínio crítico nacional, se articula com as transformações da realidade brasileira nos últimos 50 anos, incluindo uma atuação importante de resistência durante a ditadura. Mostra, também, como a reflexão estética de Candido está intimamente associada a uma crítica severa da iniquidade das nossas relações sociais - diferentemente do que acontece com muitos críticos famosos, que simplesmente transplantam para cá as déias e conceitos da moda na universidade americana ou européia.
Análise Em “Altos e baixos da atualidade de Brecht” combina a admiração pelo dramaturgo com as necessárias reservas de alguém bem informado sobre os males do stalinismo no passado e os males do império da mídia no presente. Num livro sem pontos fracos, Schwarz consegue brilhar mais do que o normal quando volta à análise de Machado de Assis, inquestionavelmente o maior escritor brasileiro de todos os tempos. Quanto mais se escreve sobre Machado, mais se percebe como sua obra é nesgotável. Em “Contribuição de John Gledson”, por exemplo, o autor dialoga com outro machadiano importantíssimo, destacando, entre outros feitos de Gledson, a evalorização da novela Casa Velha, tida erroneamente como obra menor, e a releitura de Memorial de Aires, tido erroneamente como o romance da reconciliação de Machado com a vida. Na entrevista sobre Um mestre na periferia do capitalismo, Schwarz atualiza a reflexão do seu já clássico ensaio “As idéias fora do lugar”, ao explicar como os romances de Machado refletiram as circunstâncias peculiares do liberalismo no Brasil do Segundo Reinado, uma sociedade escravocrata e clientelista que, paradoxalmente, lutava para ingressar na modernidade copiando o modelo europeu. Só é pena que o Brasil de hoje, igualmente paradoxal e iníquo, não tenha um Machado de Assis para lhe revelar as mazelas.
Istoé 22 de setembro de 1999
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