TEXTOS

Roberto Schwarz

CAMINHOS DA CRÍTICA LITERÁRIA BRASILEIRA:

ROBERTO SCHWARZ E LUIZ COSTA LIMA

 

Sebastião Marques Cardoso

                                                                                             

 

 

 

      O canto das sereias transpassava tudo e a paixão dos seduzidos teria arrebatado mais correntes e mastro. Mas Odisseu nem pensou nisso, embora talvez tenha ouvido falar disso. Confiava plenamente no punhado de cera e no emaranhado de correntes e, em inocente alegria quanto a seus meiozinhos, navegou em direção às sereias.

Franz Kafka

 

                Diante do crítico, a obra literária. O crítico, com seus meiozinhos, esquadrinha seu discurso crítico. Como Odisseu, o crítico acredita que com um punhado de idéias será possível ouvir o que as obras literárias têm a dizer. Talvez, essa crença– a tradição que funda o discurso crítico– o impeça de ouvir o que as obras também silenciam. Esse silêncio pode significar a insuficiência dos meios críticos: um punhado de idéias bastaria para ofuscar aquilo que a obras literárias confiariam em dizer.

                Entre o discurso crítico e a obra, a diferença. Essa diferença é sentida por Roberto Schwarz, ao analisar a obra de Kafka, em duas categorias. Do lado do discurso crítico, a categoria que o legitima é a inteligibilidade; do lado da obra literária, a categoria que a condiciona é a irracionalidade:

 

            /.../ o historiador marxista reduz o opaco, fruto da alienação, à essência humana inteligível, que é a atividade concreta; em outras palavras, compreende o objeto de estudo em termos de sua própria capacidade de experimentar situações. Kafka, pelo contrário, deve reduzir a prática inteligível, fátua ilusão do homem, à essência irracional do ser /.../. [i][1]

 

                Não entrando no mérito da leitura realizada por Schwarz acerca de A metamorfose de Kafka, fica evidente que a mola crítica do Autor pensa a relação entre o crítico e a obra dicotomicamente: racionalidade vs. irracionalidade. Luiz Costa Lima, contemporâneo de Schwarz, pensa o lugar da obra literária e do crítico a partir de um mesmo contexto. O fenômeno da mímesis tanto explica o modo de recepção da obra literária quanto o seu modo de intelecção, pois ela não supõe exatamente a diferença, e sim a semelhança:

 

            Seu componente diferença (relativo à mímesis) só se deixa ver por contraste com o esperado, a semelhança, vê-la não é entendê-la. Sua compreensão só é atingível por um ato analítico, que, enquanto analítico, já não é estético. Mas, por não ser estético, não compreende senão o que se lhe mostra em uma experiência estética. A mímesis artística, em suma, é a condição para nos compreendermos como sujeitos fraturados: a experiência estética nos faz sentir nosso próprio estado (Zustand). [ii][2]

 

                Para Luiz Costa Lima, a atividade crítica consiste em, a partir da experiência estética, tentar dizer analiticamente aquilo que nos foi mostrado e reconhecido no discurso ficcional como produção de uma nova verossimilhança.

                Diante do exposto, podemos dizer que a concepção crítica de Roberto Schwarz e a de Luiz Costa Lima se opõem drasticamente. Contudo, tentaremos mostrar, neste ensaio,  que a atividade crítica de cada um deles está inserida numa mesma tradição crítica. No caso de Luiz Costa Lima, talvez sua experimentação em outras paragens críticas se explique por não confiar plenamente no punhado de cera e no emaranhado de correntes de nossa tradição crítica. Pensando nisso, faremos um breve questionamento sobre a existência ou não de um sistema de crítica literária que se consolida no Brasil e, em seguida, trataremos separadamente de Roberto Schwarz e de Luiz Costa Lima, esforçando-nos em mostrar, quase sempre, a dívida que esses críticos têm em relação ao nosso passado crítico.

 

 

I- O Brasil possui um sistema consolidado de crítica literária?

 

                No Brasil, a atividade intelectual, além de escassa, sempre encontrou fortes resistências. Não nos assustemos com o termo empregado fortes resistências, pois não fazemos alusão aos períodos negros que a intelectualidade experimentou ao longo da História, como perseguição política, deportação, exílio, tortura e outras formas de repressão que os Estados Modernos utilizaram para calar a voz crítica e insatisfeita daqueles que os denunciavam. No Brasil, com raras exceções, as fortes resistências ao pensamento crítico foram tranqüilas como um amanhecer preguiçoso em épocas de férias. São fortes resistências porque o pensamento crítico brasileiro foi mantido, por muito tempo, em um estado embrionário, abandonado à própria sorte. Portanto, um período cinzento marca a nossa formação intelectual, sem nenhuma gota de sangue derramada. Éramos órfãos de nós mesmos, tivemos que aprender a caminhar tropeçando em teorias européias, catalogando escritores nacionais e lendo ou escrevendo artigos para um público seleto: ou era para nossos próprios amigos ou era para satisfazer nossas próprias veleidades intelectuais.

                Nossa atividade intelectual se resumiu a grupos ou indivíduos isolados entre si que buscaram, a partir da filtragem de modelos culturais externos ao país (ou, em muitos casos, à assimilação irrefletida de correntes teóricas estrangeiras), um olhar específico (ou, na segunda hipótese, estrangeiro) acerca de nossa vida material e cultural. Ao que parece, os intelectuais, que estabeleceram um diálogo entre nossa herança político-cultural e a relação que esta mantinha com a conjectura político-cultural internacional, foram justamente aqueles que melhor vislumbraram o Brasil contemporâneo, que melhor contribuíram para uma re-leitura de nosso passado político, econômico, social e cultural. Para lembrar apenas alguns desses intelectuais da linha de frente, basta consultar os trabalhos de Sérgio Buarque de Holanda, de Caio Prado Júnior, de Gilberto Freire, de Celso Furtado e, na crítica literária, de Antonio Candido.

                Em face da premente necessidade de auto-afirmação ou de distinção intelectual perante outras culturas, espécie de complexo de Édipo da cultura brasileira, a atividade intelectual permaneceu, no país, por um longo período discutindo temas como originalidade, nacionalidade ou brasilidade sem, muitas vezes, dar passos maiores em outros campos teóricos. Recentemente, no terreno da teoria da literatura muito se falou, por exemplo, em literatura nacional, influências e empréstimos lingüísticos, etc. Como uma leve brisa, essas discussões, estimuladas por correntes teóricas estrangeiras, mais uma vez se mostraram frágeis e insuficientes para dar conta de nossa complexidade cultural. O hábito extremamente danoso de continuamente virar o pescoço para se apropriar de teorias alheias provoca, além de irrecuperáveis torcicolos, o vício intelectual de sempre estar com uma teoria nova, o remédio definitivo para os piores males de nossa formação cultural. 

                Portanto, as resistências ao pensamento crítico no Brasil não devem ser entendidas como posturas ideológicas contrárias de origem especificamente políticas. Nem por isso queremos dizer que eventos políticos dessa ordem não interferem subrepticiamente na formação ou de-formação de um povo. Contudo, não será essa a principal questão a ser abordada por nós, haja vista que nosso maior interesse concentra-se sobretudo no terreno da crítica literária brasileira. Como entraves à progressão do pensamento crítico em nossa gleba, consideraremos, pois, questões mais elementares, como o nosso atraso material em relação às nações mais desenvolvidas, o nosso passado colonial e a precariedade de nosso meio cultural.

                Há, hoje, condições favoráveis para o desenvolvimento de diversas artes, no país. A pintura, o teatro, o cinema, a escultura, a arquitetura, a dança, bem como outras formas de expressão em arte, já podem ser produzidas no Brasil por conta de políticas de incentivos financeiros. Um bom exemplo disso foi o projeto Rouanet, lei governamental que permite destinar parte das verbas do setor privado à produção cinematográfica. Mas, a arte cultivada em momentos iniciais de nossa formação e que, ao longo do tempo, atingiu a maioridade, sendo ainda hoje responsável por grande parte de nossa produção cultural, é, sem dúvida, a arte literária. 

                A arte literária se expandiu pelo país pari passu à nossa formação cultural, em decorrência de nossa herança cultural e de nossa precariedade material, como bem atesta José Veríssimo:

 

            O próprio aparelho  técnico indispensável à produção da obra de arte, seja em música, seja em pintura, seja em escultura, seja em arquitetura, é muito mais considerável e custoso que o preciso para a produção da obra literária. Um conjunto de condições sociais, menos de rigor na produção desta, é quase obrigatório na daquela; a existência de uma cidade e nela de uma sociedade bastante culta e opulenta e amiga do grande luxo, que empreguem o artista e lhe remunerem o trabalho, é a primeira e indispensável.[iii][3]

 

                Além de a arte literária ter sobre as belas-artes a vantagem de dispensar as condições materiais de produção indispensáveis a elas, o gosto do brasileiro pela literatura tem suas raízes na tradição literária portuguesa:

 

            A causa desta nossa florescência poética não foi a terra, nem essa beleza exagerada que lhe emprestou o nosso nativismo, de que muitos poetas nossos foram os cantores conscientes e entusiastas, e que se sistematizaria, é quase um dever de patriotismo reconhecer, em Rocha Pita. Foi a herança portuguesa, a tradição literária e poética de um povo cuja poesia, no século da conquista, era das mais ilustres da Europa.[iv][4]

 

                O atraso material pode  ter sido positivo quanto à produção literária até o momento de sua consolidação no Brasil, mas não o foi igualmente para o campo das idéias. A ausência de bibliotecas em nosso meio, o que dificultava a recepção de textos literários e críticos, obrigava o leitor, quando este dispunha de condições materiais favoráveis, a recorrer a bibliografias estrangeiras que acabavam incidindo na formação teórica de um intelectual cujas idéias acerca das condições de produção literárias brasileiras pouco se diferençavam das posições críticas estrangeiras, demonstrando quase sempre desconhecimento e preconceito quanto às atividades culturais brasileiras. Criavam-se lentamente um ódio e um desprezo intelectual sem precedentes às coisas do Brasil.

                Para agravar ainda mais a situação, o Brasil-Colônia deixou-nos uma herança cultural ainda forte em nosso meio: a crítica louvaminheira. Esta crítica da corte, para alegrar o paço, impregnada de efusivos adjetivos e erudição que, mais tarde passa a ocupar considerável espaço nos jornais republicanos, foi uma tendência, e continua sendo, infelizmente, que reduziu o espaço da crítica ao comentário elogioso ou, quando não, impregnado de sentimentalismos e idéias infundadas. A bem dizer, a ausência de critérios e a prosa solta são sua marca maior, atestando o seu alto grau de inobjetividade. Comentando a produção literária e crítica do período modernista de nossa literatura, Sérgio Milliet a define, ao mesmo tempo que levanta os perigos que nossas letras correm quando estão sob os auspícios desses críticos do paço:

 

            A grande miséria de nosso romance não está no romance mas na crítica. É a crítica jornalística e radiofônica publicitária e sem critério, a culpa de todo mal /.../. É a crítica louvaminheira de quaisquer mediocridades bem apadrinhada e ignorante das obras mais sólidas. É  a crítica noticiarista empanturrada  de adjetivos, sem ponderação nem convicções. Entre a plêiade de bons ensaístas das levas intelectuais surgidas em nosso mundo literário depois de 1922, quantos ocupam os rodapés dos jornais? Não são estes entregues quase sempre a gente mais ou menos desclassificada no mundo das letras, ou por sua incultura ou pela  sua  incapacidade criadora? [v][5]

 

                Podemos concluir, até então, que, no que se refere à produção literária no Brasil, o atraso material contribuiu para a formação de nossa literatura cujas raízes têm a literatura portuguesa como matriz. Entretanto, no que se refere à produção crítica, esse atraso dificultou a leitura e a recepção de textos literários no país, provocando um desconhecimento generalizado acerca da produção literária nacional, e obrigou esses leitores críticos a importar teorias européias sem maiores reflexões. Assim, enquanto Machado de Assis dava o golpe de misericórdia na literatura de feições ainda portuguesas, Silvio Romero, Araripe Júnior e José Veríssimo davam os passos iniciais, mas decisivos, para a formação de um pensamento crítico sistematizado. Conseqüentemente, apesar de efervescente, surgiu no Brasil uma crítica superficialmente teórica, que demonstrava profundo desprezo à produção literária brasileira, quando não caía simplesmente na moda nacional: a crítica louvaminheira, que perdurou até nossos dias.

                Contra a crítica louvaminheira, uma crítica empenhada e bastante consciente de seu papel crítico; uma crítica de pressupostos teóricos mais firmes; uma crítica que representa uma releitura de nossa incipiente tradição crítica e literária; enfim, uma crítica literária que se assume como discurso crítico sistematizado, no Brasil. Esse modelo de crítica consolida-se, no país, com a publicação da Formação da literatura brasileira (1959)[vi][6], de Antonio Candido. Podemos perceber que, na crítica empreendida por Antonio Candido, convergem tanto nosso passado crítico (José Veríssimo e Sílvio Romero, por exemplo) quanto a produção crítica posterior a ela (Roberto Schwarz, Luiz Costa Lima e outros).

                Não é possível responder à pergunta O Brasil tem um sistema intelectual? por, pelo menos, dois motivos. Primeiramente, porque a pergunta é ampla, o que faz cair numa generalização sem tamanho. Mesmo que, como Luiz Costa Lima formula em “Da existência precária: o sistema intelectual no Brasil”[vii][7], especifiquemos o conceito de sistema (termo emprestado de Antonio Candido), a intelectualidade brasileira parece bastante dispersa, não podendo assim ser considerada sistêmica. Em segundo lugar, falta-nos dados precisos acerca do movimento intelectual desde suas origens até hoje, no Brasil. Desconhecemos, desculpe-nos se estamos sendo ignorantes, trabalhos que tratam do assunto de maneira profunda  e exaustiva. Rotineiramente, temos especulações, muitos questionamentos acerca da inexistência ou não de uma vida intelectual orgânica no país, não chegando a constituir uma massa de conhecimento científico consistente, digna de ser apreciada.

 Ora, se não é possível responder à pergunta O Brasil tem um sistema intelectual?, então, a reformulemos, dando à pergunta as especificações necessárias: O Brasil possui um sistema consolidado de crítica literária? Para Luiz Costa Lima, o sistema intelectual é incipientemente legitimado com a independência e a unificação política do Brasil[viii][8]. Restringindo a assertiva do crítico maranhense, talvez pudéssemos melhor dizer que surge, nesta mesma época, uma crítica literária empenhada, diferente da crítica praticada anteriormente- voltada exclusivamente para fora-, porque tem como missão implantar uma crítica notadamente brasileira, e diferente da crítica que se seguirá, porque ainda não possui um centro decisório próprio (síntese das buscas críticas anteriores). Como já salientamos, a força crítica de Antonio Candido é o resultado do esforço analítico dos primeiros críticos literários que procuraram fazer uma crítica de feições brasílicas.[ix][9]

                Em decorrência da brevidade deste ensaio, não faremos uma análise detalhada do período formativo de nossa crítica literária, nem dedicaremos páginas e mais páginas sobre a importância que a crítica empreendida por Antonio Candido exerce sobre a crítica literária nacional que se desenvolve posteriormente, ora por uma assimilação quase direta, como aparece em Roberto Schwarz, ora por uma assimilação indireta ou disfarçada, como aparece em Luiz Costa Lima. Nosso intento, a partir de agora, é recuperar e tentar descobrir, através dos trabalhos críticos desenvolvidos por esses dois últimos autores, os rumos da crítica literária brasileira contemporânea.

               

 

II- A teoria entra pela porta dos fundos: Roberto Schwarz e a atividade crítica no Brasil contemporâneo

 

O caminho crítico adotado por Roberto Schwarz desvela uma leitura atenta e criteriosa dos textos críticos mais importantes de Antonio Candido. Referimo-nos à leitura dos ensaios e, sobretudo, da Formação da literatura brasileira: textos de Antonio Candido referentes ao período formativo de nossa literatura. O mestre imediato de Roberto Schwarz- Antonio Candido- foi responsável pela exposição de uma tradição literária nacional cuja figura nevrálgica, tanto no quadro gerativo de nossa literatura quanto na concepção  teórica do Autor, era, sem sombras de dúvida, Machado de Assis. A prosa machadiana foi tomada por Antonio Candido e, mais tarde, desenvolvida por Roberto Schwarz, nos seus célebres estudos sobre Machado de Assis[x][10], como uma síntese de tendências universalistas e particularistas.

Para fins de análise, recapitulemos um trecho da Formação da literatura brasileira, de Antonio Candido, considerando-o como metonímia do seu método crítico:

 

Se voltarmos porém as vistas para Machado de Assis, veremos que esse mestre admirável se embebeu meticulosamente da obra dos predecessores. A sua linha evolutiva mostra o escritor altamente consciente, que compreendeu o que havia de certo, de definitivo, na orientação de Machado para a descrição de costumes, no realismo sadio e colorido de Manuel Antônio, na vocação analítica de José de Alencar. Ele pressupõe a existência dos predecessores, e esta é uma das razões da sua grandeza: uma literatura em que, a cada geração, os melhores recomeçam da capo e só os medíocres continuam o passado, ele aplicou o seu gênio em assimilar, aprofundar, fecundar o legado positivo das experiências anteriores. Este é o segredo da sua independência em relação aos contemporâneos europeus, do seu alheamento às modas literárias de Portugal e França.[xi][11]

 

                Nesse trecho, o filósofo Paulo Eduardo Arantes não só reconhece a presença de “Tradição e talento individual”, de T. S. Eliot, no conceito que Antonio Candido nutre em relação a Machado de Assis, como também presume que na própria formação teórica do crítico, a fórmula de Eliot também se aplica:

 

            Vê-se /.../ que mesmo com a fórmula de Eliot muito presente, Antonio Candido ajustou-se antes de tudo pela lição de Sílvio Romero e José Veríssimo, naturalmente revista e corrigida, como se depreende desta reconstituição da carreira de Machado de Assis, que finalmente cumpria o programa de continuidade cultural por canalização do influxo interno, e correspondente desprovincianização da consciência literária, traçado pelos dois críticos nas linhas tordas que se viu. [xii][12]

 

                A entrada de Antonio Candido na crítica literária pela porta dos fundos- ao rever o método crítico de Sílvio Romero e as concepções literárias de José Veríssimo, por exemplo-, possibilitou-lhe um olhar descurado e profundo acerca de nossa frágil produção literária e intelectual. Pela porta dos fundos, a crítica literária brasileira se consolidou. Contudo, Antonio Candido demonstrou uma singular desconfiança em relação à teoria (a prata da casa); ou, dito de outra maneira, Antonio Candido percebeu e procurou purgar tudo aquilo que é acessório em literatura, ou seja, tudo aquilo que se passava no país como teoria. Essa aversão à teoria, embora justificável, não deixa de ser polêmica. Como veremos a seguir, Luiz Costa Lima tocará o dedo na ferida, não poupando nenhuma crítica que possa gerar incômodo nos seguidores mais eloqüazes de Antonio Candido.

                Como já afirmamos anteriormente, Roberto Schwarz é o discípulo mais imediato e bem comportado de Antonio Candido, pois segue as linhas do mestre com muita cautela. Machado de Assis, por exemplo, o ponto chave da Formação de Antonio Candido, recebe dois cuidadosos estudos por parte de Roberto Schwarz, o que atesta indiscutivelmente a continuidade do projeto de Antonio Candido, agora sob o influxo de uma pena de um outro autor. Em síntese, a concepção de literatura como sistema, a entrada na crítica literária pela porta dos fundos, uma forte tendência pelo ensaísmo crítico e um deliberado desassossego em relação à teoria são as marcas de Candido assimiladas por Schwarz sem muita resistência. Isso decorre, talvez, da exagerada e íntima proximidade intelectual entre um e outro, bem como da forte tendência sociológica de Roberto Schwarz, como bem o declara no prefácio de seu Um mestre na periferia do capitalismo:

 

            Devo uma nota especial a Antonio Candido, de cujos livros e pontos de vista me impregnei muito, o que as notas de pé-de-página não têm como refletir. Meu trabalho seria impensável igualmente sem a tradição- contraditória- formada por Lukács, Benjamin, Brecht e Adorno, e sem a inspiração de Marx.[xiii][13]

 

                Isso posto, como Schwarz vai equacionar o problema da teoria? A experiência de Schwarz com a teoria não está tão distante da experiência de Antonio Candido, devido à proximidade de ponto de vista. Candido nunca temeu a teoria, temia apenas o ridículo local de confundi-la com resenha bibliográfica e a habitual colcha de citações a esmo, no conjunto, involuntariamente paródica.[xiv][14]

                No curso de Letras, Roberto Schwarz assiste ao passeio dessas teorias que passam por nossa academia sem deixar rastros ou quaisquer vestígios de proveito em nossa tradição crítica:

               

Nos vinte anos em que tenho dado aula de literatura assisti ao trânsito da crítica por impressionismo, historiografia positivista, new criticism americano, estilística, marxismo, fenomenologia, estruturalismo, pós-estruturalismo e agora teorias da recepção. A lista é impressionante e atesta o esforço de atualização e desprovincianização em nossa universidade. Mas é fácil observar que só raramente a passagem de uma escola a outra corresponde, como seria de esperar, ao esgotamento de um projeto; no geral ela se deve ao prestígio americano ou europeu da doutrina seguinte. Resulta a impressão- decepcionante- da mudança sem necessidade interna, e por isso mesmo sem proveito. [xv][15]

 

                A mudança de uma teoria para outra sem necessidade interna é uma ideologia, no sentido marxista, que merece ser combatida. Essa prática, na concepção de Schwarz, tem precedentes históricos que fazem conviver, no Brasil contemporâneo, princípios burgueses atrelados a comportamentos sociais de nossa vida colonial. A necessidade interna em Schwarz constitui uma teia de relações entre o local e a tradição. Em outras palavras, é a força de um sistema local de problemas e contradições que, exigindo mobilidade interna, filtra a oferta internacional de teorias. Com isso, deixaríamos de ser provincianos, no entender de Schwarz, ao mesmo tempo que nossa vida cultural se transforma, rejeitando o caráter postiço, inautêntico e imitado que nos dominou por longo tempo. A pungência da experiência local exerceria, então, um papel decisório nesse processo.

Em síntese, as teorias internacionais, à luz de Roberto Schwarz, serão bem-vindas e incorporadas ao nosso meio a partir do momento que, estimuladas por nossas necessidades internas, venham a contribuir significativamente para a superação prática das arenas locais e nacionais. 

 

 

 

III- A prata da casa: Luiz Costa Lima e a dissidência da crítica literária contemporânea

 

                Para Luiz Costa Lima, há um certo incômodo em ser intelectual no Brasil, pois seu terreno é vago e difuso por uma série de fatores.[xvi][16] Nossa cultura, diferentemente da dos países hispanoamericanos, se impôs de cima para baixo, obrigando o intelectual a optar, desde cedo, pela palavra teatralizada. Essa palavra teatral- retórica vazia ou restos de janta abaianada- era muito bem aceita pelas agências do paço. Em outras palavras, trata-se da crítica louvaminheira, como vimos no estudo precedente. Contudo, quando esse intelectual não se curvava aos interesses da colônia, quando não renunciava à criticidade, dava-lhe a sensação de não pertencer a nenhum grupo socialmente definido. Gregório de Matos é o exemplo desse desconforto.

                O Boca do Inferno, como assim o chamavam, não se ligou fidedignamente nem aos reinóis e nem aos brancos de segunda-classe. Além da literatura cuja expressão era a da classe dominante, o que prevaleceu, na produção cultural da era colonial, foi um moralismo crítico simpático ao retoricismo e ao nativismo/nacionalismo sem maiores reflexões. Mesmo com a vinda da família real ao Brasil e, posteriormente, com o advento das Repúblicas, a situação do intelectual no país não se alterou significativamente. Isso posto, Luiz Costa Lima aponta para três características que marcam indelevelmente nosso precário sistema intelectual: uma cultura predominantemente auditiva, uma cultura voltada para fora e, como uma terceira marca, um sistema intelectual que não possui um centro próprio de decisão.

                Como traço da cultura auditiva, devemos entendê-lo como a migração do aspecto oral de nossa cultura para o âmbito das letras, introduzido entre nós pelo ensino jesuítico:

               

O efeito de impacto produzido (pelos sermões de Pe. Antônio Vieira, por exemplo) consistia em impressionar o auditório, em esmagar a sua capacidade dialogal, em deixá-lo pasmo e boquiaberto ante a perícia verbal e a teatralização gesticulatória, maneiras de rapidamente subjugar o auditório.[xvii][17]

 

                A cultura da persuasão instalou-se também em nossa produção intelectual. Ela corresponde a um entrelaçamento de intuicionismo e culto da praticidade, que acaba desenbocando, quase sempre, num autoritarismo crítico e numa dependência cultural incontinenti.

                Na produção intelectual domina a preocupação com a apresentação externa do trabalho crítico, e não a atenção com suas relações internas. Isso, além de ser um traço de nosso precário sistema intelectual, tem conseqüências funestas em nossa cultura. A preocupação com a exterioridade- o ostentatório- acaba gerando, em nosso meio, a ânsia cultural pela teoria sempre nova.

Com isso, não se produz teoria, importa-a. Entre uma importação e outra, esquece-se de erigir uma teoria crítica bem fundamentada, que obedece aos imperativos de nossa cultura e que se prolonga lentamente através de outros continuadores, sejam eles exclusivamente brasileiros ou não. Porém, a cultura ostentatória, orientada por modelos externos à nossa cultura, não permite e exclui qualquer possibilidade de teorizar sem medo, no Brasil. Sempre há, na agenda do crítico brasileiro, coisas mais urgentes a realizar!

Em decorrência de nossa auditividade e de nossa ostentação culturais, somos impedidos de ter um pensamento original. Isso impossibilita escolher ou mesmo avaliar a pertinência de certa obra, corrente  ou teoria, pois somos incapazes de tomar decisões sozinhos:

 

Dizemos que nos falta um pensamento original, não só por não termos as indispensáveis condições materiais /.../, como porque as instituições legalmente capacitadas para julgar das produções intelectuais tendem a não acatar senão os produtos seguidores de uma linhagem já suficientemente legitimada nos centros que reconhecemos. [xviii][18]

 

Apesar da crítica bastante aguda, Luiz Costa Lima não é ortodoxo no que se refere às relações com os grandes centros. Para ele, é importante estarmos a par do que se realiza fora do país, porém devemos agir com muita cautela no momento de se decidir acerca de uma metodologia ou de uma teoria. Para não cometer os mesmos erros que tradicionalmente a crítica comete quanto ao uso da teoria ou do método, é mister reler nosso passado crítico com as lentes raras de Luiz Costa Lima.

Se fizermos um balanço da crítica literária produzida no Brasil a partir do final século XIX , com Sílvio Romero, José Veríssimo e Araripe Jr., chegaremos à conclusão de que o problema da crítica literária brasileira está, exatamente, na incapacidade de apreender a especificidade do discurso ficcional por meio da teoria. Ou dito de maneira grosseira: na incapacidade mesmo de teorizar o discurso ficcional.

Em Sílvio Romero, a utilização de conceitos como fluência, naturalidade, emoção, comunicabilidade, entusiasmo, vida, capacidade de proselitismo própria das almas combatentes e nacionalismo aparecem em sua crítica obedecendo aos imperativos da sociologia sem, contudo, uma definição clara e precisa dos termos. O último desses conceitos- nacionalismo- é tido por Sílvio Romero como o critério primordial para o exame crítico. Machado de Assis seria, com certeza, a sua vítima predileta, pois não resumia a estreiteza das características nacionais que o critério sociológico impunha.

Ao reler Sílvio Romero, Luiz Costa Lima obtém a seguinte conclusão:

 

Notamos primeiro uma marca afirmativa: a busca de entender a obra literária não como espécie isolada, mas no conjunto das transformações sociais. Perfilaram-se a seguir marcas negativas: a incapacidade de observar as conseqüências de uma anotação capital- impossibilidade de a trindade taineana explicar as diferenças das produções individuais- a incapacidade de refletir conceitos utilizados, que então passavam ao estado de meras ferramentas. Poderíamos resumir o legado negativo, declarando-o resultante da incapacidade de teorizar e da incapacidade de ler.[xix][19]

 

Com relação a José Veríssimo, nele perpassa a mesma preocupação com as condições sociais que circulam a atividade do intelecto brasileiro; a mesma preocupação como o caráter nacional da literatura; a mesma afirmação antiromântica em favor da objetividade  e do realismo; a mesma caracterização da crítica empenhada no esforço da construção nacional. Contudo, o olhar de Veríssimo é mais penetrante, pois ele percebeu que as amarras de nosso pensamento crítico eram fornecidas pela sociedade burguesa européia. Em suma, os critérios de procedência sociológica e o de proveniência retórica são, guardadas as proporções, os traços da crítica literária produzida tanto por José Veríssimo quanto por Sílvio Romero:

 

Se em Sílvio Romero a centralidade da preocupação sociológica provoca a primazia do critério nacionalista, em José Veríssimo este se torna pano de fundo, enquanto na cena trabalhavam preocupação gramatical e retórica. Tais critérios, contudo, já são sobredeterminados pelo código moralizante tanto de Sílvio quanto de Veríssimo.[xx][20]

 

                Diferentemente de Sílvio Romero e José Veríssimo, Araripe Jr. sustentará um forte desejo em sua crítica contra o sociologismo cientificista. Entre o objeto e o indivíduo, haveria uma mediação flutuante: a possibilidade de o objeto provocar impressões. Impressões que se articulariam a partir do gosto e do temperamento do intérprete, tendo como pontos fixáveis as figuras de estilo. Assim, a crítica estilístico-psicológica de Araripe Jr. aparecia como o instrumento mais adequado para se analisar a individualidade do artista, se não fosse, infelizmente, a precariedade das metáforas conceituais empregadas.

                Em síntese, podemos dizer que, ao refazermos sucintamente o percurso crítico traçado por Sílvio Romero, José Veríssimo e Araripe Jr., a razão do discurso ficcional não se justifica apenas por critérios (muito mal empregados, por sua vez) apenas sociológicos, apenas retóricos ou fundados na mera impressão. Isso posto, é preciso dar continuidade nessa reflexão, e não evitá-la mesmo que desagrade o leitor, através de um questionamento crítico que, inevitavelmente, colocará a Formação da literatura brasileira, de Antonio Candido, no banco dos réus.

                Em face do exposto acima, vejamos uma citação de Luiz Costa Lima muito esclarecedora, que diz respeito à nossa situação crítica e à confusão que se prolonga na atividade crítica entre método e teoria:

 

            A ampliação da base econômica e o advento de um público diversificado permitiram, desde fins da década de 50, o surgimento de uma prosa e uma poesia diversificadas, desde a vertente literariamente mais revolucionária (Guimarães Rosa, a poesia concreta, a valorização crescente da poesia de Cabral) até a mais epigônica e previsível (a continuação da prosa realista, o sentimento sonetizado). Na frente propriamente crítica, o salto talvez tenha sido menor, pois, embora as obras de Afrânio Coutinho, Antonio Candido e Haroldo de Campos- com todas as diferenças internas e de qualidade- apresentam resultados e preocupações metodológicas sem paralelo com a crítica que se desenvolvera de Sílvio Romero a Álvaro Lins, na sua novidade esta na frente metodológica que abrem e não na discussão especificamente teórica. Para que se entenda o argumento necessitamos ter bem presente que metodologia não se confunde com teoria. Não há por certo uma sem a outra, mas podemos desenvolver um argumento metodológico ou deixando implícito seu embasamento teórico- como é freqüente em Candido- ou o explicitando por repetições do já escrito- o caso de A. Coutinho- ou ainda por desenvolvimentos assistemáticos- a exemplo do que sucede em Haroldo de Campos. Não dizemos portanto que o pensamento crítico permaneceu parado, mas sim que, numa escala de ruptura, ele se manteve mais próximo da situação tradicional que o todo da criação crítica. [xxi][21]

 

                Ora, o ofuscamento teórico e o esforço metodológico de Candido o ligam sensivelmente à tradição crítica iniciada no final do século XIX, no Brasil. Esse ofuscamento teórico tem, contudo, razão de ser. As idéias de sistema e de estrutura, intimamente ligadas ao método crítico adotado por Antonio Candido, são, como na cultura auditiva, pouco explicitadas e questionadas como deveriam ser, já que constituem pilares de uma teoria crítica que procura reconstituir a história dos brasileiros no seu desejo de ter uma literatura. Em resumo,  o descritivismo, a idéia de uma literatura nacional, o método crítico empregado e a obnubilação teórica da Formação da literatura brasileira atestam o alto grau de comprometimento do Autor com a cultura auditiva.[xxii][22] 

 

 

Passado, presente e futuro crítico

 

                Nossa reflexão partiu do questionamento se havia ou não, no Brasil, um sistema crítico consolidado, e como esse sistema teria se comportado durante as nossas primeiras incursões no terreno crítico. Percebemos, então, que a crítica louvaminheira foi a primeira manifestação crítica no Brasil. Trata-se de uma vertente crítica que, ainda hoje, repercute na crítica diletante, com ecos, às vezes, em trabalhos críticos de alguns renomados profissionais da crítica. Contra a crítica da corte: a crítica séria, científica, acadêmica e empenhada. É esse último modelo de crítica que abordamos ao falarmos da crítica literária produzida no século XIX; da capacidade de síntese crítica da Formação da literatura brasileira, de Candido; do desdobramento do projeto de Candido por força da pena de Roberto Schwarz; e da releitura de nosso passado crítico, porém não menos compromissada, sob o influxo do pensamento crítico de Luiz Costa Lima.

                Hoje, podemos afirmar  que temos um pensamento crítico sistemático e consolidado no Brasil. Guardadas as proporções, o papel de nossos primeiros mestres (Sílvio Romero, José Veríssimo, Araripe Júnior e demais críticos que se seguiram) foi decisivo para a formação de  um cânone crítico notadamente brasileiro. Este pensamento se firmou com a publicação da Formação, de Antonio Candido: obra crítica que viria a ser o divisor de águas de nossa ainda frágil, porém empenhada, crítica literária brasileira. Por um lado, teríamos uma crítica ao rés-do-chão, que procura desvendar no localismo as frinchas mais atávicas do universalismo,  empreendida por Roberto Schwarz; por outro lado, uma crítica que exige não só o reconhecimento de nosso debilitado contexto intelectual, como também a sua superação por meio de uma tradição teórica que se torne visível a olho nu, empreendida por Luiz Costa Lima. Assim, partindo do mesmo punhado de cera e de correntes (nossa tradição crítica), Schwarz e Costa Lima navegam em direção às sereias (obra literária), esquadrinhando, com seus meiozinhos particulares, a história da crítica literária brasileira.

 

 

Referências Bibliográficas

 

 

ARANTES, P.E. “Providências de um crítico literário na periferia do capitalismo”. In: D’INCAO, M.A.; SCARABÔTOLO, E.F. (orgs). Dentro do texto, dentro da vida: ensaios sobre Antonio Candido.  São Paulo: Companhia das Letras; Instituto Moreira Salles, 1992.

CANDIDO, A. Formação da literatura brasileira. 8. ed. Belo Horizonte- Rio de Janeiro: Editora Itatiaia Limitada, 1997, vol. I e II. 

ELIOT, T.S. “Tradição e talento individual”. In: _____. Ensaios. Trad.: Ivan Junqueira. São Paulo: Art Editora, 1989.

LIMA, L.C. “Concepção de história literária na Formação”. In: D’INCAO, M.A.; SCARABÔTOLO, E.F. (orgs). Dentro do texto, dentro da vida: ensaios sobre Antonio Candido.  São Paulo: Companhia das Letras; Instituto Moreira Salles, 1992.

_____. Dispersa demanda: ensaios sobre literatura e teoria. Rio de Janeiro: F. Alves, 1981.

_____. Mímesis: desafio ao pensamento. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.

MILLIET, S. Diário crítico. São Paulo: Brasiliense, 1944.

SCHWARZ, R. Ao vencedor as batatas. São Paulo: Duas Cidades, 1977.

_____. A sereia e o desconfiado: ensaios críticos. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981.

_____. Que horas são? São Paulo: Companhia das Letras, 1987.

_____. Um mestre na periferia do capitalismo: Machado de Assis.  São Paulo: Duas Cidades, 1990.

VERÍSSIMO, J. “Das condições de produção literária no Brasil”. In: BARBOSA, J.A. (sel. e apres.). José Veríssimo: teoria, crítica e história literária. Rio de Janeiro: LTC; São Paulo: EDUSP, 1977.


 


 

[i][1] SCHWARZ, 1981, p. 65.

[ii][2] LIMA, 2000, p. 394.

[iii][3] VERÍSSIMO, 1977, p. 46.  

[iv][4] VERÍSSIMO, 1977, pp. 48-9.

[v][5] MILLIET, 1944, p. 21.

[vi][6] Colocamos o ano de 1959 para fazer referência à primeira edição da obra crítica de Antonio Candido, servindo-nos apenas como baliza temporal. Para a demonstração crítica da obra, utilizaremos, neste ensaio, a 8ª edição da Formação, publicada pela Editora Itatiaia, em 1997.

[vii][7] Cf. LIMA, 1981.

[viii][8] LIMA, 1981, p. 12.

[ix][9] ARANTES, 1992, pp. 236-238.

[x][10] Cf. SCHWARZ, 1990; 1977.

[xi][11] CANDIDO, 1997, p. 104, vol. II.

[xii][12] ARANTES, 1992, p. 240.

[xiii][13] SCHWARZ, 1990, p. 13.

[xiv][14] ARANTES, 1992, p. 245.

[xv][15] SCHWARZ, 1987, p. 30.

[xvi][16] Cf. LIMA, 1981, pp. 3-29.

[xvii][17] LIMA, 1981, p. 16.

[xviii][18] LIMA, 1981, p. 24.

[xix][19] LIMA, 1981, pp. 39-40.

[xx][20] LIMA, 1981, p. 45.

[xxi][21] LIMA, 1981, p. 194.

[xxii][22] LIMA, 1992, pp. 153-169.

 

 

 

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